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Anque o traballo d-uns poucos desleigados trate d-ilo, non se borrará dos beizos que a mamaron a fala que empregou iste pobo por mais de dez séculos, que é a que falan i-entenden 42.000.000 de galegos, portugueses e brasileiros (Fco Fdez del Riego, 1932)

Galiza Lusófona 2005

MDL > Comunicados > Um[ Segunda-feira, 11 December 2006, 18:30h ø ]
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[ ¶ Para Imprimir ] Um
Título Carta aberta a Avelino Abuín de Tembra
Comentário Carta aberta do Porta-voz a respeito de um artigo em Galicia-hoxe em que se criticam duas campanhas do MDL
Data 24-01-2006
Texto Como resposta às muitas perguntas que o senhor Avelino Abuín de Tembra colocava num artigo recentemente publicado no jornal «Galicia Hoxe» a respeito da nossa associaçom, da campanha que estamos a desenvolver para a promoçom da língua portuguesa como matéria optativa nos centros de ensino galegos e da petiçom em que exigimos que a nossa língua se continue a transcrever directamente quando alguém a fala na UE apelando à unidade linguística galego-portuguesa; queremos esclarecer que o Movimento Defesa da Língua se pretende referente das pessoas que acreditam na reintegraçom das falas galegas no sistema linguístico a que pertence, a Lusofonia, especialmente para reverter o processo de substituiçom do galego/português polo castelhano na populaçom da Galiza e recuperá-lo para todo o uso linguístico.

Achamos portanto errado considerar que as pessoas que enfrentamos o problema da língua de uma perspectiva científica e lhe dedicamos o nosso tempo de maneira desinteressada, sem atender a remunerações económicas ou de qualquer tipo, somos traidores ao património da Galiza. Traidores? Nunca, nem ao património de um povo galego que nunca tivo a oportunidade de se manifestar a respeito do conflito linguístico e que viu sempre como as altas instancias políticas, de duvidosa galeguidade, decidiam sobre a norma linguística na década de oitenta; nem à norma oficial vigente, que nom única galega, uma vez que nunca aceitamos a sua legitimidade.

Contudo, é para nós mais triste ver como alguém com o seu passado e a sua formaçom cultural nos acusa de renegar dos escritores galegos, da sua obra e da sua maneira de entender a língua. Recomendo assim ao senhor e aos leitores desta carta uma visita à nossa página para relembrar o que a respeito da pertença do galego ao universo da lusofonia diziam por exemplo Sarmiento, Murguia, Viqueira ou Carvalho Calero, referentes todos eles da nossa história cultural e literária e protagonistas da nossa campanha «Divulgaçom de pensadores galegos». Podem os mitos atraiçoar-se a si próprios ou serám os traidores os pseudo-investigadores que apresentam diariamente aos galegos uma história parcial e partidista? Lembre-se também que os reintegracionistas começárom a ser perseguidos e censurados desde a década de oitenta, a nossa era antes uma visom da língua perfeitamente válida e assumida polos nossos melhores escritores, de Pondal a Carvalho Calero passando por Castelao, que em inúmeras ocasiões justificárom a sua falta de praxe na deficiente formaçom de uma populaçom em que os poucos escolarizados tinham sido alfabetizados exclusivamente em castelhano. Pode considerar-se que a sociedade galega actual apresenta as mesmas limitações que a de princípios de século ou a que viveu a ditadura franquista? Nós achamos injusto esse despreço.

Prezado Avelino, o MDL é um dos poucos colectivos que existem no país, sobretudo no ámbito linguístico e cultural realmente democrático, aberto e horizontal que se rege por assembleia; independente de qualquer outro colectivo e partido político; e que aceita e ainda fomenta a liberdade de pensamento. O reintegracionismo é uma maneira de entender a língua que combinando os conhecimentos científicos e a tradiçom do pensamento linguístico galego pretende que os galego-falantes utilizam no seu proveito todas e cada uma das vantagens de se exprimir na sua língua, entre elas a de contar com 200 milhões de interlocutores directos. Procurar detrás do nosso trabalho mais do que isso, qualquer outro tipo de implicaçom política, é colocar qualificativos desnecessários, só as grandes doutrinas e religiões precisam de messias, nós nom.

Também tenho a obriga de dissentir da qualificaçom das nossa campanhas de intromissom na vida nacional Portuguesa. Podem interpretar os cidadãos portugueses o facto de que uma outra comunidade solicite exprimir-se na sua mesma língua nos organismos internacionais ou que o português se estude nos seus centros de ensino uma intromissom na sua vida nacional? O que realmente poderia ser considerado uma intromissom é aquilo que o senhor propom de ser nós a lhe dizer aos portugueses o que tenhem de estudar ou nom sobre a Galiza. Contudo, nom se preocupe, o MDL secundaria a sua proposta no que di respeito da língua e da cultura, pois compreenderá que o das aulas específicas de língua galega seriam, para nós, uma incoerência.

Faça o favor, senhor Abuín, de nom se esquecer nunca da sua afirmaçom num artigo de opiniom publicado na página web «Portugal Livre» (http://portugal-livre.00freehost.com/ultimapagina.html) em que louvava a 5 de Maio de 2003 «a hospitalidade con que os portugueses acollen os galegos, desde o presidente ata o viandante ocasional» ou daquela carta aberta sua dirigida a Camilo Nogueira (http://membres.lycos.fr/questione/perspectivas/abuin1.html) em que lhe dizia com carinho: «de non poder utiliza-lo galego, ¿por que non habías emprega-lo portugués, a lingua irmá? ¿Que mal hai niso?». Prezado Avelino, deve reconhecer que se naquela altura o Camilo Nogueira foi criticado por determinados agentes do espanholismo mais radical nom o foi tanto polo seu uso de uma língua diferente do castelhano quanto polo uso daquela (a portuguesa) que nos coloca no mundo fazendo-nos mais fortes e capazes tanto pola sua internacionalidade quanto pola sua nacionalidade, uma vez que para além de internacional é indiscutivelmente nossa e galega. Eu sei que sabe disto tudo pois nesse mesmo artigo que antes citava afirmava, referindo-se à promoçom em Potugal de documentários bilingues em espanhol e português que «ese perigoso bilingüísmo que se pretende establecer em Portugal non se pode nin debe desligar dos impedimentos que os gobernantes de Madrid invocan para a integración de Galicia na programación das canles en lingua portuguesa», e até nisso concordamos senhor Abuín, pois o MDL apoia a recepçom na Galiza das televisões e rádios portuguesas.
Portanto, e uma vez que todos achamos, como se pode ler no artigo seu que motiva esta resposta nossa, «afortunada a decisión da Xunta», fagamos entom o possível por trabalhar por aquilo que nos une com a intençom de viver numa Galiza em galego, mais conhecedora de si mesma, mais culta, mais capaz e mais forte.

O Porta-Voz do MDL,
Carlos Figueiras

Artigo de Abuin em Galicia-hoxe:
http://www.galicia-hoxe.com/index.php?option=com_content&task=view&id=13380&Itemid=37

Notícia no PGL:
http://agal-gz.org/modules.php?name=News&file=article&sid=2595

Carta aberta publicada em Galicia-Hoxe:
http://www.galicia-hoxe.com/index.php?option=com_content&task=view&id=13605
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