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A noçom que deve alimentar a nova etapa de desenvolvimento cultural nom é outro que o idioma comum da Galiza, Portugal e Brasil (V. Paz Andrade)

VII Jornadas da Língua de Compostela

MDL > Campanhas > Uma[ Segunda-feira, 11 December 2006, 19:17h ø ]
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Uma
Português no ensino desde já!!! - Solicitude dum liceu de Tui para ministrar Língua Portuguesa

 
Documento proposta para o claustro de professores/as do IES Sam Paio de Tui com o intuito de introduzir o português entre as matérias do centro
 
Proposta para introduzir o ensino do português como segunda língua.
 
  1. O contexto da Uniom Europeia
     
    O novo contexto europeu, mais para lá do manusiado Eixo Atlántico e as inúmeras vezes citada Eurorregiom Galiza - Norte de Portugal , estabelece umhas condiçons objectivas, fundamentalmente económicas mas tamém culturais, que nos obrigam a tomar medidas para preparar @s galeg@s... para o contacto com Portugal. Entre estas condiçons podemos citar as seguintes:
     
    • Cada dia é mais corrente assistir à expansom de empresas galegas que iniciam a sua aventura em Portugal.
    • Resulta familiar para nós ver como os profissionais da saúde preparados nas nossas universidades decidem exercer em Portugal, pola falta de oportunidades que encontram aqui, em oposiçom à enorme demanda que existe actualmente em Portugal.
    • Nom é menos corrente que empresas galegas radicadas aqui tenham um elevado número de clientes e / ou abastecedores portugueses, o que obriga aos trabalhadores destas empresas a dominar a língua portuguesa se querem comunicar com eles com garantia de êxito.
    • É tamém significativo o elevado número de galegos e galegas interessados nos produtos culturais em portugues, número que está a crescer nos últimos anos, como se tem demostrado com o èxito de músicos como Dulce Pontes, Madredeus, Pedro Abrunhosa, Cesária Évora, Carlinhos Brown... ou actores como Roberto Cordovani, a Companhia de Teatro do Noroeste, etc., acontecendo que para este encontro cultural é preciso que os galegos e galegas procurem o achegamento pola sua conta, porque as instituiçons galegas nom tenhem umha oferta adequada a esta demanda real.
    • O português nom acaba em Viana do Castelo. O domínio, nalgum grau, da língua portuguesa, poderá facilitar a mobilidade do alunado à hora de escolher os seus estudos superiores, sejam do ramo que forem, porque Portugal e o Brasil passarám a ser possíveis países onde formar-se.
    • O português é língua oficial da Uniom Europeia. A aprendizagem do português nalgum momento do Ensino Secundário ou o Bacharelato redundará no benefício dos alunos e alunas tudenses, que acabarám o Bacharelato com conhecimentos em várias línguas oficiais da UE: espanhol, inglês, francês e português. Além, o alunado galego já conta com algumhas facilidades para a aprendizagem do português motivadas polo conhecimento do galego, que podem fazer que no mesmo número de anos de estudo que outras línguas, o domínio do português seja sensivelmente maior.
    • Por último, e nom por isso menos importante, é preciso, por razons históricas, rehabilitar e favorecer as maltreitas relaçons entre galeg@s... e portugues@s..., para as que o franquismo foi um período traumatizante onde se limitou o contacto transfronteiriço à compra-venda de café e carne de péssima qualidade. Desde o sentido comum entende-se que é preciso recuperar a normalidade das relaçons entre norte e sul do rio. Pode parecer este um discurso romântico, ideológico ou pseudo-sentimental, mas hai um dado que fai pensar que algo raro acontece numha comarca quando se aprendem, sem problema, línguas que serám utilizadas mui pontualmente no emprego local, como o inglês e o francês, e se desconhece totalmente umha língua cuja quota de apariçom no mundo laboral é objectivamente superior às outras duas.

  2.  
  3. Condiçons particulares do concelho de Tui
     
    A primeira condiçom de interesse neste caso é a situaçom evidentemente privilegiada que nos fornece o entorno transfronteiriço. O Insituto de Tui é o fisicamente mais próximo a Portugal.
     
    • A presença de um Insituto de Educación Secundaria que é um dos mais antigos do país, que encontra a oportunidade de aparecer como pioneiro em introduzir o português no ensino secundário, com os benefícios que isso terá para recuperar o prestígio dos centros públicos de secundária, que está em evidente declive por causa da Reforma Educativa.
    • Com a aprovaçom do ensino do portuguès, o IES Sam Paio tem possibilidade de adiantar-se, com o beneficio que isso supom, a outros centros de secundária do entorno para os quais o ensino do português é de indiscutível interesse e que, por isso, mais cedo do que tarde, tentarám adoptar. Neste sentido, sermos os primeiros pode ser de grande importância.
    • É preciso tomar em conta a possibilidade que a LOGSE dá de introduzir matérias próprias justificadas polo meio em que se desenvolve o ensino da ESO, neste caso a fronteira com Portugal.
    • O Concelho de Tui, pola sua localizaçom geográfica, teria a possibilidade de optar a ajudas europeias, fundamentalmente as derivadas do programa INTERLINGUA, que dá ajudas económicas para os programas de aprendizagem de línguas estrangeiras que sejam línguas oficiais da UE.
    • Além disso, para gestionar as possíveis ajudas, ou mesmo para receber dados mais pormenorizados sobre o nível de cooperaçom e relaçom económica e laboral entre Portugal e a Galiza, existem duas instituiçons que se ocupam disto: O Módulo de Promoción e Desenvolvemento do Baixo Miño, em Tui, e o EURES, serviço de emprego transfornteiriço situado na antiga alfándega de Valença.
    • Nos últimos anos está-se a verificar umha demanda de cursos de português no concelho de Tui e outros limítrofes, nomeadamente Tominho, demanda a que se está a dar resposta de forma privada ou parcialmente subvencionada. A instituiçom que até ao momento tem feito a gestom destes cursos é a Casa da Juventude de Tui, que leva trabalhado conjuntamente com diversos organismos portugueses na realizaçom de cursos de português em diferentes modalidades (iniciaçom, aperfeiçoamento, linguagem comercial...) durante os últimos seis anos.

  4.  
  5. Outros dados de interesse
     
    Outros dados de interesse som os que se podem tirar do ensino de português nas Escolas Oficiais de Idiomas, particularmente da de Vigo por ser a mais próxima. Actualmente estudam português nela 315 alunos e alunas de toda a província. O perfil dos interesses que levam as persoas ao estudo do português, conforme o estudo realizado pola própria escola, tem basicamente duas variáveis fundamentais:
     
    • os motivos laborais. Persoas que estudam português porque lho exige o seu trabalho, porque o precisam para trabalhar em Portugal ou porque sabem que o português é um elemento que começa a ser valorizado polas empresas na hora de avaliar um currículum. Estas persoas que se decidem a estudar português por estes motivos som aproximadamente o 70% dos matriculados.
    • os motivos culturais. O restante 30% está formado por persoas que estudam português por afinidade e interesse pola cultura portuguesa, seja pola própria proximidade em por si ou propiciado pola presença de algumha relaçom familiar ou persoal com portugueses/as.

  6.  
  7. Conclusom
     
    Seria, do meu ponto de vista, um erro maiúsculo nom aproveitar todas estars circunstâncias favoráveis para, por umha vez, conseguir:
     
    • prestigiar socialmente o nosso centro de ensino.
    • fornecer aos alunos a possibilidade de formar-se numha língua que por proximidade e polo seu crescente interesse económico e comercial, está a ser de grande utilidade do seu desenvolvimentos académico e profissional.
    • ser pioneiro, na Galiza, na introduçom do ensino do português tanto no ensino secundário, passando a ser referente fundamental para outros centros que num futuro se acolham a essas medidas.
    • aproveitar o activo persoal e profissional dos próprios professores e professoras de galego do centro - licenciados em galego-portuguès- que, sem a menor dificuldade, etariam capacitados para atender esta demanda, sem que seja, necessária, em princípio, a incorporaçom de novo professorado.

     
    Por todas estas razons solicito formalmente ao claustro de professores se posicione favoravelmente mediante votaçom, para que a comissom pedagógica do centro adopte as medidas oportunas a fim de incorporar o ensino do português nos planos de estudo deste centro.

 
Em Tui, a 29 de Janeiro de 2001
 
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