Na nova situação em que se anuncia um novo decreto de ensino “mais ambicioso que o actual” queremos manifestar o que segue:
Sabedores da proposta de iniciar um novo decreto sobre o ensino, acreditamos em que a única possibilidade de este ser realmente respeitoso com a nossa cultura e funcionar como promotor da nossa língua como elemento de coesão social e de integração de novos membros na nossa comunidade, passa necessariamente pela consideração do galego como língua veicular e preferente do ensino e da alfabetização.
O MDL estará sempre a favor da promoção no ensino da aprendizagem de diferentes línguas mas considerará um erro político qualquer modelo de ensino público galego que não considerar a nossa língua como língua veicular prioritária, com independência das experiências optativas de aprendizagem em línguas estrangeiras que houver ou do próprio ensino de línguas.
Além disso o MDL considera necessária a integração de conteúdos curriculares de cultura e língua portuguesa como apoio fundamental e imprescindível para dotar o “nosso galego” das ferramentas necessárias para se constituir numa língua de cultura preparada para cumprir o seu papel de ferramenta de coesão, integração social, formação e acesso ao conhecimento.
Também queremos lembrar que com o decreto actual é possível desenvolver desde já medidas que caminhem na promoção da língua longe das grandes declarações e propostas legislativas futuras.
Em Abril de 2006 entregamos em reunião com a Directora Geral, umas primeiras proposta de mínimos para iniciar a galeguização do ensino dentro das possibilidades que oferece o actual decreto e as competências em educação do Governo Galego.
Em base á situação actual as medidas urgentes que a Conselharia deveria realizar para já se quer realmente modificar as condições actuais, em que o ensino urbano é um dos principais inimigos da sobrevivência da língua, são: - Cumprimento do decreto 247/95
- Compromisso publico da Conselharia de no próximo ano haver, no mínimo, uma escola em cada concelho do País em que se seja possível receber o ensino obrigatório integramente em galego.
- Modificar os cursos obrigatórios de formação pedagógica (CAP) e, na medida do possível, as carreiras universitárias afectadas para que os futuros professores recebam toda a sua formação atendendo à necessidade de cumprirem no seu trabalho com o decreto 247/95.
- Oferecer de maneira generalizada a matéria de língua portuguesa como matéria optativa de livre escolha em todo o ensino secundário.
- Compromisso público da Conselharia para que haja, no mínimo, uma escola em cada concelho do País em que se poda aprender português de maneira optativa, reforçando assim o conhecimento da nossa língua.
Nesse sentido esperamos que a Conselharia e os partidos no Governo envolvidos nas decisões sobre o modelo de ensino reconsiderem a actual situação de passividade política frente ao futuro da língua e tomem a sério as mensagens de alarme que periodicamente enviamos as organizações sociais.
Usando o discurso dos políticos anunciamos que os activistas da língua não entenderíamos “ser menos que Catalunha” num novo decreto de ensino.
Por isso: Ou o galego é a língua do ensino ou o ensino não será galego.
Conselho do MDL, 21 de Fevereiro de 2007
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