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Mais de 40 pessoas participaram no roteiro pelas terras de Mandim, Vilarelho, Lama d´Arcos e Cambedo.
No início da jornada reunimo-nos na taberna do Xico e partimos guiados pelo Xico e a Lola que nos levaram pelos caminhos que unem Mandim com Lama d´Arcos. Fomos atravessando os caminhos sempre a ver uma fronteira sem sentido, que a cada pouco se fazia mais estranha e artificial aos nossos olhos. Ali ao pé de Lama d´Arcos explicaram o contrabando de sobrevivência, a miséria humana dos guardas e guardinhas com o rio fronteira unindo a terra por trás deles. Dali viramos para Feces de cima em direcção às minas de estanho que outrora se trabalhavam, já perto de Vilar de Cervos. Paramos num prado a compartir o almoço e as cantigas das pandereteiras vindas de Alhariz. Continuamos. Foi a vez do companheiro Rosendo, das terras de Vilar-de-Vós, fazer de guia, ensinando-nos a amar a sua terra por caminhos onde se avistava em frente o alto da Cota, a sua terra, lindando mais uma vez com a Raia dos Estados, incrível, a insistir numa divisão artificial das terras e das pessoas. À volta paramos numa azenha para aprender como é que se fazia antes o azeite e viramos de novo por outro caminho a atravessar a Raia de Feces até Lama d´Arcos. Na aldeia encontramos a acolhida dos vizinhos que se debatiam entre abrir-nos as adegas para provarmos o vinho ou ir já para o ponto de encontro em que nos esperavam. Vimos o forno da aldeia e fomos para o centro onde nos esperavam os folares cozinhados pela nossa causa. O vinho não podia faltar, um vinho da terra, de invejar. Continuou o convívio até se fazer noite e o frio envio-nos de volta para esse lugar de referência em que se convertiu a taberna do Xico. Ouvimos as palavras de Dionísio Pereira, exemplares, em que nos mostrou uma imagem da resistência contra o fascismo e da solidariedade entre os vizinhos que não deixou indiferente a ninguém, acabando com um grande bater de palmas do público. Às gaitas de Tâmagos, de Compostela e de Bergantinhos uniram-se as pandereteiras do roteiro e a malta a dançar. O vinho do Xico, como sempre espectacular, a cada ano melhor, tirava-nos a sede. Dormimos em Vilarelho no Centro Social que sempre nos recebeu de braços abertos. Ao dia seguinte caminhamos mais uma vez pela raia, desta vez de S. Cibrão a Cambedo. Ali o Xico de Ourense explicou-nos a batalha do Cambedo e foi mesmo pela antiga raia que entramos na aldeia (o caminho de entrada na rua principal fora, em tempos, a Raia). Antes disso, fomos ver o Castro de Wamba e os marcos da Raia, no meio da terra, ridículos. Foi-se ainda até o cemitério do Cambedo, ver as tumbas dos guerrilheiros e partimos depois para o almoço de despedida. Ainda tivemos vontade de voltar à taberna para nos despedir de verdade dos nossos amigos da Raia. Com certeza que não é esta a última visita que lhes fazemos. |