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O MDL participou hoje na 22ª Semana da Educaçom crítica em Santiago de Compostela organizada pela Assembleia de Estudantes.
Sob o título «Que se passa com o galego?» sentaram-se à volta duma mesa redonda: Concha Diéguez, sócia da empresa Reverso Servizos Linguísticos, quem fez uma apresentação dos objectivos e trabalho desenvolvido por esta empresa; começando por falar da situação do ensino regulamentado de língua galega nos centros de ensino, tanto públicos como privados, hoje por hoje na Galiza, concluiu que uns dos pontos mais fracos deste ensino é a falta de metodologia, ou a maneira errada como este é focado. Fez uma exposição de como, ainda hoje, se continuam a utilizar os métodos mais tradicionais no ensino do galego, recorrendo constantemente às partes do carro e do hórreo, e de como este não é o método mais adequado, e muito menos atraente para que os aprendentes de galegos mostrem um interesse real por esta língua. Desde Reverso propõem uma aprendizagem e um ensino da língua galega desde uma perspectiva lúdica para que desde as crianças até os adultos sintam atracção para a aprendizagem, mas sem esquecer que o principal objectivo é dotar as pessoas de ferramentas para que possam desenvolver o seu quotidiano em galego.
Por outro lado, também participou neste colóquio o estudioso Carlos Figueiras que fez uma interessante apresentação dos dados do ensino e da aprendizagem do português na Galiza, fazendo em todo momento um estudo comparativo com a Estremadura espanhola. Carlos Figueiras referiu as leis, os decretos e as diligências tanto estatais como comunitárias que promovem o ensino de língua portuguesa na Galiza, e apresentou os dados de como estas diferentes propostas não se cumprem no nosso país e ninguém é sancionado por isto. Da parte do MDL participou Teresa Carro que centrou a sua intervenção no Decreto do Ensino a na posição que o MDL tem a seu respeito. Numa primeira análise da situação de incumprimento da Lei de Normalização Linguística convidou-se a plateia para a reflexão de qual será o motivo para que aleatoriamente umas leis possam ser incumpridas e outras não, pois a dia de hoje não existe regulamento que diga o que se passa quando alguém não cumpre esta lei. Feita esta reflexão falou-se do Decreto do Ensino e de quais os erros que o MDL vê nele, como já se tinha posicionado anteriormente. Explicou-se como desde o MDL se vê que a única possibilidade de um modelo de ensino que seja realmente respeitoso com a nossa cultura passa necessariamente pela consideração do galego como língua veicular; fez-se denúncia pública do chamado “bilinguismo harmónico”, pois o MDL considera que simplesmente é uma forma de ocultar uma situação em que há uma língua privilegiada e uma outra oprimida. E finalmente falou-se da necessidade de integração de conteúdos, nos currículos escolares, de língua e cultura portuguesa como apoio fundamental e imprescindível para dotar o galego das ferramentas necessárias para continuar na recuperação da sua função natural na sociedade: constituir-se na língua de cultura preparada para cumprir o seu papel de ferramenta de coesão e integração social, formação e acesso ao conhecimento. Este último ponto foi o que teve mais interesse no público e provocou uma conversa entre todos os participantes em que se discutiram aspectos muito interessantes do ensino do português na Galiza, da sua legislação e mesmo dos métodos a utilizar nesta área. Tudo para concluir que não resta dúvida de que o português é um elemento normalizador imprescindível na Galiza, e que alguém não está interessado em que esta normalização não vá avante, se não, não se pode explicar porque existindo a necessidade real desta aprendizagem, o português na Galiza só encontra obstáculos no caminho. Agora só resta agradecer a organização o convite feito e encorajá-los a que continuem a organizar estas jornadas os próximos anos. |