Ao carom da aldeia gala: BCN 07Este artigo foi publicado originalmente no «Somos valentes, só tememos umha cousa: Que o céu caia sobre as nossas cabeças. Gostamos da ria. Gostamos de comer e beber bem. Somos resmungons, indisciplinados e rixosos... Mas queremos os amigos. Em resumo... somos gauleses!». A passada semana o recinto da Fira de Barcelona acolhia o evento capital da banda desenhada de todo o estado. O Saló del Còmic, um encontro que chama a afeiçoados, editores e autores arredor da novena arte. Entre os milheiros de pessoas que se deslocárom até lá, este ano contava-se com umha boa representaçom de galegos, seguindo a tendência ascendente dos últimos anos na nossa BD.
Arredor dumha trintena de criadores, desde veteranos reconhecidos internacionalmente como Miguelanxo Prado a amadores ue estám ainda a dar os seus primeiros passos, toda umha gama de estilos e de idades achegárom-se com a intençom de contactar editores, vender os seus produtos, conhecer outros criadores, comprar álbuns impossíveis de encontrar e passá-lo bem.
A esta multidom que pululava polo recinto da Fira, somavam-se três postos de diversa natureza. Em frente mesmo da exposiçom que recriava a aldeia de Astérix (casualidade ou ironia da organizaçom?), a ilha Banda Desenhada Galega, promovida pola Conselharia de Cultura e mais as entidades que integram a Mesa pola BD.
Um pouco além, também contra um recanto, o posto que a Associaçom BD Banda/Faktoria K Editorial compartia com a firma madrilena Dibbuks. E, agochado no meio dos postos de fanzines, o meio posto que o incombustível Mariano Casas mantinha para vender as suas propostas de autoediçom (apresentando nesta ocasiom o seu segundo Historias de Mariano).
Em geral, as perspectivas do sector para o evento eram boas, e em boa medida cumprírom-se. Chegámos lá com a marca de sete candidaturas iniciais (David Rubín, Alberto Vázquez e o fanzine Barsowia) que ficárom finalmente em dous prémios, que tenhem o seu bom mérito.
Rubín media-se em três das quatro categorias às que estaba nominado com esse monstruo da BD estatal que é Max. Barsowia, pola sua banda, fijo valer a sua qualidade e constância (apresentava o número 9) fronte a propostas coma o Fanzine Enfermo que já fora nomeado com antecedência e que anunciara o seu feche pouco tempo antes.
A estes meritórios resultados devemos acrescer ainda o Grande Prémio do Saló a toda umha trajectória que foi para Miguelanxo 'Papá' Prado, umha figura que concita a maior unanimidade tanto em qualidade humana como artística no conjunto do sector. Em deitando contas, saírom-nos três prémios galegos do total de nove, o qual nom está nada mal para um país no que a indústria da BD está em cueiros.
Para além dos prémios, abondárom as entrevistas com editores estatais e internacionais, com muito boas perspectivas que podemos esperar que dêem os seus fruitos ao longo dos vindeiros meses, mas de que polo momento pouco podemos adiantar. Apenas que sim houvo interesse desde diferentes editores franceses e americanos polo trabalho de vários dos nossos paisanos, que é de esperar podam em pouco tempo incrementar a nómina de autores que podem viver do seu trabalho na BD, embora seja para o exterior.
Pola parte de BD Banda, que apresentava o primeiro número da sua nova revista profissional, o êxito em vendas (mais de 350 exemplares) e em críticas dérom também numha sensaçom de satisfacçom. Ainda se pode falar também o eco que alcançou este evento, com umha presença inédita da BD galega nos nossos meios de comunicaçom ou da quantidade de gente que visitou o stand do país.
Foi precisamente a questom da indústria galega da BD um dos debates que mais se sostivérom ao longo do evento entre o colectivo galaico. A presença pioneira do posto da BD Galega e mais as recentes linhas de apoio ao sector anunciadas pola Conselharia dérom para todo tipo de comentários. Devemos pensar que estamos a falar dum sector, o da banda desenhada, escassamente industrializado e mesmo pouco normalizado a nível social.
Historicamente fôrom os autores quem corrêrom com o trabalho de autoeditar-se, promover-se e mesmo organizar eventos para difundir a sua paixom por esta arte. Escasso de opções profissionais, com um mínimo apoio até o momento por parte das instituições editoriais (só Faktoria K e Toxosoutos mantenhem na actualidade linhas de BD no noso país), a desconfiança sobre a efectividade das medidas mistura-se com a esperança neste colectivo.
A definiçom que encabeça esta crónica, e com a que Astérix e Obélix se apresentavam aos índios n'A grande travessia bem se poderia aplicar em boa medida ao colectivo da BD. Nom fica dúvida algumha de que, mália ao excelente momento criativo e a efervescência profissional que estamos a viver na actualidade, fica ainda umha grande travessia até conseguirmos um sector forte e umha novena arte normalizada dentro da cultura galega.
Podemos dizer que, por enquanto, contamos com umha boa poçom mágica que é a qualidade incontestável dos nossos autores. Cumpre-nos agora um boom forte, na forma de industria cultural, desde o que nos podermos defender. Nesse caminho contamos polo momento com um primeiro apoio institucional, que haverá que optimizar e desenvolver. Bem-vindo seja o debate, nom deixemos de abrir caminho. Polo momento podemos aguardar as primeiras ajudas para o sector, que a promoçom da BD continue a incrementar-se, e que para o ano este Saló seja ainda mais galego. Por Tutatis!
Germám Ermida é sócio do MDL, jornalista e membro do colectivo BD Banda. |