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Manifesto feito no 25 de Julho de 1998, dia da Pátria Galega, junto com muitos outros colectivos lusistas e reintegracionistas.
Neste ano de 1998 dedicado aos trovadores medievais, que representam a Idade de Ouro da Galiza como sociedade normal com uma língua normalizada, não devemos desaproveitar esta importante comemoração para fazer a comparança entre a Galiza histórica e a situação da Galiza actual. A língua dos nossos trovadores era a língua de todos os galegos e galegas. Era também língua de estado e de cultura nas três capitais centro-occidentais da península: Santiago, Toledo e Lisboa. Uma língua que durante vários séculos consolidou uma brilhante tradição escrita. Depois vieram os tempos da espanholização da Galiza, que ainda hoje perduram. No entanto, de uma perspectiva global, a nossa língua nunca esmoreceu, sendo hoje língua internacional com mais de duzentos milhões de utentes. A nossa tradição literária e gráfica foi quebrada oficialmente na tarde do 3 de Julho de 1982 por decreto da «Xunta» de «Alianza Popular», assinado por Filgueira Valverde (R.A.G.). Este texto impõe a ortografia espanhola para a língua da Galiza, oficializando o chamado «castrapo» e tornando a teoria «isolacionista» em doutrina do poder político e administrativo nessa altura. Esta facto origina uma nova inflexão na nossa história linguística. No aspecto normativo, as consequências são as que podemos constatar na actualidade: Percepção, por parte dos/as galego-falantes, de inferioridade e dependência a respeito do espanhol -língua superior-, deturpação e espanholização progressiva em todos os âmbitos e registos, importante perda de utentes (dados oficiais do Mapa Sociolinguístico), sério retrocesso no ensino e, finalmente, a tentativa de consolidar o falaz discurso do «bilinguismo armónico», ocultando à sociedade um conflito linguístico dia a dia mais grave. Por sua vez, a ofensiva «isolacionista» durante estes anos provocou a repressão face a todo o contacto com a lusofonia, agravando a «lusofobia» num momento histórico em que as tentativas de relação entre a Galiza e o mundo lusófono estão a ser cada vez mais intensas (a este respeito, devemos ter presente a existência de um foro ao mais alto nível, como a «C.P.L.P.» -Comunidade dos Países de língua Portuguesa-, onde observadores da Galiza ja tiveram participação com voz). Finalmente, estes últimos anos vêm a evidenciar que o conflito linguístico (galego versus espanhol) existente na Galiza é uma autêntica questão de estado para o poder espanhol, que está a pôr todos os entraves possíveis às tentativas de normalização do nosso país. Hoje, mais uma vez, comprovamos na realidade a tese de Carvalho Calero: «O galego, ou é galego-português ou é galego-espanhol». As organizações que assinamos este manifesto queremos declarar: -Que são as organizações cívicas e não as actuais instituições -pretendidamente- galegas as que levam avante o processo de plena normalização da língua e cultura da Galiza. -Que da capacidade de movimentação da sociedade galega depende não só reivindicar, mas também construir o processo de plena normalização. -Que a actual imposição normativa do «castrapo» (falazmente apresentado como «oficial») é um instrumento do poder, desenhado para converter paulatinamente galego em espanhol, tornando impossível qualquer vínculo com a área que nos é própria: a lusofonia. -Que, perante o pretendido «vil-linguismo (harmónico)» e o «isolacionismo» espalhados pelo discurso do poder, só o monolinguismo e o contacto natural com o mundo lusófono podem abrir o caminho da normalidade para a sociedade galega. -Que as organizações que abaixo assinamos nos comprometemos ao desenvolvimento progressivo destes pontos, unindo forças no comum interese de defender a língua da Galiza. - Movimento Defesa da Língua. MDL - Renovaçao, Embaixada Galega da Cultura em Madrid. - Assembleia Reintegracionista NH - Conselho Internacional da Lusofonia - Irmandades da Fala da Galiza e Portugal - Secretaria Admon. Autonómica da CIG - Galiza Solidária - Assembleia da Mocidade Independentista. AMI - Estudantes Independentistas. EI - Fundaçom Artábria - Docentes Contra a Repressao Linguística - Mulheres Nacionalistas Galegas. MNG - Associaçao de Amizade Galliza-Portugal - Periódico "Já" Na Galiza, Vinte e cinco de Julho de Mil novecentos e noventa e oito, setecentos anos depois da obra de Meendinho, Joham de Cangas e Martim Codax. |