Reproduzimos a seguir o texto da entrevista tal e como saiu publicada a semana passada no Portal Galego da Língua
Que lugar deve ocupar o ensino do português na Galiza?Creio que nom deveria ser ‘segunda língua’ na nossa naçom, mas a realidade é sumamente difícil. Sendo realistas, o que dizemos é que o português tem que ser umha possível segunda língua no ensino, como outras. Neste caso sabemos que parte em inferioridade de condiçons em relaçom a outras como o francês.
Inferioridade, porquê? Há mais professorado de francês? Ou mais procura?Nom queremos que isto seja visto como umha luita entre línguas. Pensamos que todas podem ser estudadas como segunda opçom. Porém, o natural é que o português tenha polo menos o mesmo status para ser segunda opçom no ensino em qualquer centro do País. Isso hoje nom é assim porque o assunto deve sofrer ainda alguns processos prévios.
Quais?Primeiro tem que haver professorado capacitado disposto a leccionar e a Administraçom tem de apostar para ser possível oferecer português em cada centro. Em segundo lugar os centros educativos devem solicitá-la após a terem oferecido como optativa e a Administraçom tem que aceitar a proposta dos centros. A Administraçom, em princípio, di que nom teria problema. Qual é o problema entom se todas estes requisitos se cumprem? O problema é que na ESO cada centro pode oferecer até três matérias optativas, no máximo. Como se oferecem dous obradoiros, só fica espaço para umha segunda língua, que é obrigatório oferecer, mas só umha. Num centro nom pode oferecer-se portanto mais de umha língua estrangeira. Com isto, os centros escolhem maioritariamente o francês. O ideal seria que o item de língua estrangeira abrangesse mais possibilidades num mesmo centro para o alunado escolher.
E isso será possível?Por enquanto nom há nengum quadro legal estatal que obrigue a proceder dessa maneira. Quando for desenvolvida a regulamentaçom do ensino médio segundo a LOE esperemos que as administraçom educativa galega faga umha interpretaçom o mais aberta possível.
É entom umha questom de vontade política?Obviamente. Se fosse entendida a importáncia, como recurso cultural, educativo e laboral de umha língua com duzentos milhons de falantes... se se entendesse que a nossa língua é deficitária em muitos ámbitos, o desenho estratégico teria de ser necessariamente diferente no ámbito do ensino.
Pensas que mudou a vontade política, com o novo Governo?Eu vou referir-me à Conselharia de Educaçom, que está nas maos do PSOE. A Estremadura fijo umha aposta decidida neste sentido, contando na actualidade com 9.000 alunos, mas na Galiza nom podemos esquecer que a sensibilidade do PSOE em relaçom a este assunto é mui pobre. Numha reuniom que tivemos há pouco com a directora geral de Ordenaçom Educativa ela estava de acordo em que o português devia ter a importáncia que merecia no ámbito educativo, mas do que se di ao que se fai há-che muita distáncia. A nossa funçom é estarmos atentos e ter umha atitude reivindicativa para que isso seja facilitado.
A Administraçom pode escudar-se na falta de procura... Neste sentido, como dirigente de um sindicato nacionalista, maioritário no sector, que pode dizer para justificar essa paradoxal falta de procura?O peso da história, determinado com políticas elaboradas para desprezar aquilo que nos é próprio, é enorme. É evidente que o principal problema é o centralismo e diversos projectos políticos que nos fam esquecer que temos um país ao lado que, nom apenas no terreno cultural, mas também no económico e no laboral, poderia ser de grande ajuda. Todos os galegos devem ter trabalho na própria terra, mas hoje em dia nom cabe dúvida de que para muitos galegos o Norte de Portugal fica tam ou mais central do que Espanha, sendo cada dia mais as empresas que trabalham nesta regiom levando pessoal galego.
Que está a fazer a CIG neste momento em prol do português no ensino?Estamos a fazer umha campanha informativa para dar conhecer esta opçom e os centros de ensino saberem os passos que tenhem que dar. Para além disso comunicamos à Conselharia esta reivindicaçom, levando-a também ao Parlamento Galego. Este ano deu-se um pequeno avanço, que som as estadias em Portugal para formar o professorado, mas depois há cousas inexplicáveis como que agora que começa a haver leitores de francês e inglês nos centros de ensino, mas nom há de português. É interessante explorar este caminho, mas deve dizer-se que existe grande resistência no próprio Portugal para fazer estes intercámbios. Se Portugal tivesse outra atitude, também poderia influir nas perspectivas adoptadas polos governos autonómicos de cá.