 Texto do Folheto distribuído nas escolas de secundária da Galiza a partir de 1998
Porque o MDL está empenhado na introdução do português nas aulas? Apesar da entrada em vigor da Reforma Educativa, com possibilidades teóricas de mudanças no ensino das línguas, o português continua, de facto, proibido no ensino, quer como língua nacional da Galiza, quer como língua estrangeira, mesmo como segunda língua estrangeira. O Movimento Defesa da Língua (M.D.L.) enquadra-se na actual movimentação reintegracionista, herdeira do pensamento galego de todos os tempos, sequestrado ainda hoje. Assim, para A. Vilar Ponte, fundador das Irmandades da Fala, alicerce do nacionalismo galego contemporâneo, "o português é o galego nacionalizado e modernizado" (1918). Em J. V. Biqueira, a perspectiva de uma Galiza lusófona torna-se nítida: "Viver no seu seio (do Português) é viver no mundo. É viver sendo nós mesmos". Para Castelão, "a nossa língua está viva e floresce em Portugal". Esta linha de pensamento vem-se desenvolvendo ininterrompidamente desde o século XIX: B.. Vicetto, E. Pondal, M. Murgia, E. Correia Calderão, V. Risco, A. Cunqueiro, E. Guerra da Cal, R. Flores, R. Carvalho Calero ou o saudoso M. Rodrigues Lapa, o mestre português de Anadia, que nunca renunciou à sua condição de galego, e outros muitos. O M.D.L., ao sustentar a pertença das falas galegas ao diassistema mundialmente conhecido como português, defende ser esta a língua nacional da Galiza, e, portanto, a necessidade do seu estudo e uso exclusivo como língua veicular no ensino, porquanto nós sempre rejeitámos, e rejeitaremos, o "vil linguismo". Se, pelo contrário, o português fosse uma língua estrangeira na Galiza, como sustentam as autoridades espanholas, por que é que o proíbem, mesmo como segunda língua estrangeira? Não esqueçamos nunca o facto de o português ser falado por 200 milhões de pessoas nos cinco continentes, o que representa 4% da população mundial; portanto, a nossa língua conta com uma extensão geográfica e demográfica consideravelmente maior do que o francês ou o alemão. Na perspectiva da tão falada contrução europeia, o conhecimento de línguas resulta um elemento imprescindível na política de integração de mercados, acorde com as dinâmicas impressas pelo capital transnacional. Além do mais, os galegos havemos de considerar o fácil que resultaria na Galiza aprender português, dados o nível de correspondência da sua forma culta com as falas galegas, assim como a sua presença, como língua nacional, num território contíguo. À mocidade galega continuam-se-lhe a roubar as perspectivas laborais que lhe abriria o conhecimento pleno da língua portuguesa. O espanholismo ao nos fazer impossível a aprendizagem do português, até como língua estrangeira, está, sintomaticamente, a dar-nos a razão, muito contra a sua vontade, aos defensores da unidade linguística galego-portuguesa. Não podemos estudar português, nem como língua nacional, nem como língua estrangeira. Porque será? |