|
Manifesto do MDL ante o anúncio do Centro Dramático Galego de representar a Valle Inclán em espanhol na Galiza.
BOAS NOTÍCIAS PARA A LÍNGUA E CULTURA GALEGAS: O CENTRO DRAMÁTICO GALEGO VAI REPRESENTAR AS SUAS PRÓXIMAS OBRAS EM CASTELHANO. Diante do anúncio de que o Centro Dramático Galego (CDG) vai representar quatro obras de Valle Inclán em castelhano, nom podemos menos que: - FELICITAR o CDG por este acto de sinceridade e honradez para com a cidadania galega, que o mantém. Nós já suspeitávamos que o fim último da criaçom e funcionamento do CDG era, nom a promoçom da língua e cultura da Galiza, mas a simples promoçom e manutençom de determinadas pessoas. O anúncio de que CDG, com dinheiro destinado, em teoria, à língua galega, vai financiar um espectáculo em castelhano, vem, desde o nosso ponto de vista demonstrar que, com efeito, o é. - FELICITAR o CDG por ter realizado finalmente um inegável serviço à língua e cultura do país. Nom nos vamos somar ao coro daqueles que criticam esta montagem como um atentado contra a língua e cultura galegas, porque suporia admitir que as anteriores montagens do CDG tinham constituído algum feito importante na luita pola recuperaçom dessa língua e cultura. E, antes ao contrário; o CDG nada de positivo têm realizado a este respeito;pola sua estreiteza de miras artística (que corre paralela à largueza de meios económicos) e polo carácter, ou antes melhor polo "cheiro" oficialista (no linguístico e no cultural) dos seus planeamentos. Entendendo que o teatro galego é, por definiçom, aquele feito em galego, para nós nom há melhor notícia para a língua e cultura galegas que o passo do CDG ao teatro em castelhano. O CDG só tem servido para que o escasso público ocasional dos seus (tristes) espectáculos acabe identificando teatro galego com grandiloquência, pretensiosismo, burocracia artística e aborrecimento. Agora, ao vê-lo representar em castelhano, o público galego poderá comprovar que todas essas eram características do CDG e nom da língua que tam penosamente empregava nas suas representações. Só temos que lamentar o carácter "excepcional" desta experiência. Mas sabemos que o CDG tera a habilidade suficiente para o tornar em "habitual". E, por isso, devemos também: - PEDIR DESCULPAS a todos os cidadãos das comunidades autónomas de Castilla-León, Castilla-La Mancha, Asturias, Cantabria, Rija, Madrid, Aragón, Murcia, Extremadura, Andalucía, Canarias, e as cidades autónomas de Ceuta e Melilla, assim como, em geral, a todas as pessoas de Língua castelhana do Universo, por algo que puderam interpretar como um acto equiparável ao de despejar o lixo próprio na horta dos vizinhos. Nós respeitámos a língua e cultura castelhanas, e só pedimos igualdade de trato e de respeito para a nossa. Por isso nom devem ver esta "exportaçom" do CDG como o lançamento de um míssil de cabeça nuclear (ou, quando menos, recheio de fruta algo passada) mas como um acto de estrita reparaçom. Nós demos-lhe à cultura em língua castelhana autores tam grandes e geniais como Ramón María del Valle Inclán. É justo que, como contrapartida, tenham que sofrer agora as montagens do CDG, que podem considerar, também, como uma forma de compensar o facto de elés nos terem enviado (ao lado de Cervantes, Lorca, Falla, a "tortilla " e tantas outras cousas que lhes agradecemos) a Juanito Valderrama e Dolores Abril. - SUGERIR ao CDG que por pura coerência (ou, como nom sabemos se conhecerão o significado desta palavra, será melhor dizer: por puro marketing) mude a sua denominaçom. Poderia passar a se chamar, talvez: "Centro Dramático de Valladolid en Gira Permanente por Galicia"(CDVGPG). Claro que, se escolhesse "Centro Dramático de Guadalajara" ou "de Granada", nom teria nem que mudar de siglas. Todas essas denominações resultariam, porém, um tanto demagógicas, sobre tudo porque a culpa daquilo que acontece com o nosso teatro e a nossa língua temo-la-nós e nom os moradores dessas cidades. Por isso para salientar esta, digamos, "nova" orientaçom linguística e teatral (ainda que é a de sempre, expressada de um modo mais sincero) pensamos que o melhor que podia fazer, seria passar a denominar-se "Centro Esperpéntico Galego". Valle Inclán, com efeito, nom podia ter sido mais feliz qúe vendo como o conceito do "esperpento" transborda os limites do cenário e invade as áreas da programaçom teatral e da política cultural. Por esta causa vemo-nos na necessidade de: - FELICITAR novamente o CDG polo acerto teatral que supõe a escolha linguística do seu próximo espectáculo. Um Centro Dramático Galego a representar a obra de um autor galego, ambientada na Galiza, e para um público galego, num peculiar castelhano que pretende evocar a sua própria fala: nom se podia ter pensado em nada mais "esperpéntico"! Claro que, a este respeito poderíamos: - SUGERIR-LHE também que existe um nodo singelíssimo de representar Valle em galego, a pesar de todas as proibições dos seus herdeiros. Como o próprio CDG anúncia que, posteriormente, a montagem vai ser cedida ao Centro Dramático de Viana do Castelo para ser representada, desta vez sim, na Língua do país, bastaria com que a companhia institucional galega empregasse essa mesma versom, que, com algumas adaptações pontuais, se as julgassem necessárias, e representada por actores galegos e pronunciada "à galega", se converteria, misteriosamente, numa versom galega a prova dos mais obtusos inquisidores. Resolveriam assim todos os problemas legais, e podem estar certos de que o galego que sairia dos seus lábios (que deixariam entom de ser "beiços", como os dos porcos), seria o melhor galego que nunca tivesse empregado o CDG, e que o público que assistisse ao espectáculo o acharia mais familiar e menos "químico". Mas, como isto resulta inadmissível para as "mentes pensantes" (ou, polo menos, "pesantes") do país, que com certeza manterão como axioma inquestionável que a nossa língua tem mais a ver com a de Valle Inclán que com a de Viana do Castelo, e como o pior é que o futuro vai acabar por lhes dar a razom, e como nom gostariamos de concluir sem lhes propor uma alternativa razoável que eles sejam capazes de assumir, antes de acabar queremos: - SUGERIR-LHE ao CDG que, simplesmente, se limite a esperar uns poucos anos antes de representar a obra de Valle sem traduzir, garantindo-lhe que nom terá que renunciar, entom, à sua "denominaçom de origem". Graças à política linguística de que ele próprio forma parte, nom demorará o dia em que esse castelhano, com certo sabor "galaico", de Valle vai poder considerar-se (mediando o oportuno Real Decreto) como a autêntica língua galega. |