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Comunicado sobre os rumores da negociação para chegar à "reforma" da normativa ILGa-RAGa (conhecida também como "normativa da concórdia") que se pretendia fazer na altura, finais do ano 2001.
Em toda a polémica suscitada recentemente sobre a "mudança da normativa" pudo-se ter ouvido de tudo, mas não se deu a voz às pessoas que mais se levam implicado na dignificação e recuperação da nossa língua, desde umha perspectiva de movimento de base. No espaço que me proporciona a rede, pequena janela de liberdade de expressão, frente uns meios informativos domados e castrados polo poder absoluto do governo da Junta, quero reflectir em alta voz sobre a questão colocada. E quero ser claro e rotundo como sempre o foram os diversos colectivos reintegracionistas. Nós, integrantes do Movimento Defesa da Língua (M.D.L.), temos opinião sobre a "mudança de normativa", e, como organização cívica, apartidária, de âmbito linguístico, que tem como objectivo principal a normalização plena da língua nacional dos galegos e galegas, pensamos que embora as informações sobre o "acordo" não sejam ainda muito concretas em relação às verdadeiras dimensoes da futura reforma, devemos reafirmar publicamente a nossa posição, prévia a qualquer mudança normativa, com a intenção de evitar possíveis confusões ou desinformação sobre um debate que tem sido sempre vítima delas. Acho que não é legítima nem válida qualquer mudança de normativa que não tome como ideia fundamental a unidade linguística de galego e português, procurando, portanto, a reintegração da língua de Galiza ao sistema que lhe é próprio: a Lusofonia. Não podemos aceitar, portanto uma possível reforma ortográfica que parte (ao parecer) da actual normativa oficial. Ainda mais quando (ao parecer) a dita reforma se está a elaborar dentro do âmbito das actuais normas I.L.Ga.-R.A.G. (simplesmente trocando umas escolhas por outras) de forma que as "novas" normas, em realidade, nada terão de "novas". Parece-nos muito grave que se esteja a falar de "normativa de concórdia". Isto é uma falácia, dado que, na realidade, nada se fez para procurar dita concórdia. Por trás da normativa do I.L.Ga.-R.A.G. oculta-se nuns casos a filosofia do espanholismo mais reaccionário que pretende a castelhanização e dialectalização da língua da Galiza, e noutros casos -pois sabemos que há quem apoie essas normas desde o compromisso com a nossa língua- umha contribuição não voluntária para esses mesmos objectivos que procuram o desaparecimento do galego, em benefício do espanhol. Infelizmente, se algo parece estar a mudar é a posição de organizações como a AS-PG, assim como a de linguistas e professores, até hoje reintegracionistas e defensoras da comum identidade de galego e português, que, (ao parecer) estão a colaborar nesta nova tentativa de consolidar e legitimar o isolacionismo e as suas manobras. Por esse motivo, devemos alertar a todas as pessoas preocupadas com a situação e o futuro da nossa língua, já que, com os dados de que dispomos a dia de hoje, penso que esta teórica reforma da normativa pode constituir uma nova e dura ofensiva do isolacionismo, que está a procurar ganhar campo no único espaço social que sempre se lhe resistiu: o nacionalismo. Em qualquer caso, devemos exigir de quem corresponder, se mantenha permanentemente informada a sociedade da situação actual do processo, com claridade e transparência, e se abra imediatamente um debate público e livre que permita recolher e conhecer todas as sensibilidades da cidadania galega sobre o tema, único modo de atingir uma autêntica "normativa de concórdia". O MDL, tenham certeça, reafirma públicamente a sua vontade de continuar a trabalhar, hoje mais do que nunca, com todas as suas forças pela normalização da língua galega. Xico Paradelo, Porta-voz Nacional do Movimento Defesa da Língua |