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Reproduzimos o artigo da autoria da nossa Porta-Voz, Teresa Carro, puiblicado no Suplemento Altermundo do Galicia-Hoxe do 25 de Maio. A experiência que nos deixam os anos, desde que a língua portuguesa se pode estudar na Galiza é só cousas boas e positivas para a nossa situação sócio-linguística. O percurso dum estudante de português que nada tenha a ver com o galego e que mesmo seja castelhano-falante passará por várias fases. Primeiro aperceberá-se nos inícios do estudo de que pode botar mão daquela língua que ouvia em casa quando criança, que quase tinha esquecida, mas que lhe serve para começar a se comunicar em português (uma língua que, a priori, considerava como estrangeira e longínqua).
Esta sensação de recorrer ao galego incrementará-se ao longo dos dias numa segunda fase em que o aluno vai dotando de prestígio aquela língua que tinha esquecido, porque descobre de repente, que o galego não serve só para falar com as vacas e com a avó que está quase surda, mas serve também para o mundo em que agora está imerso, é a língua que precisa dominar para chegar a tal posto de trabalho, é a língua em que estão traduzidos esses escritores estrangeiros de que tanto gosta, é a língua que, em resumo, lhe permite viver de forma normal na sociedade actual sem abandonar a sua identidade. Por último, este aluno é consciente de que agora, visto que estuda português, quando alguém lhe fala em galego tem muita menos dificuldades em comunicar-se, sente-se muito mais à vontade e cria um respeito para esta língua. A isto chamo eu dotar de prestígio o galego. Neste país as instituções encarregadas de tomar conta da língua nunca se lembraram de que o primeiro passo para normalizar esta língua é dotá-la de status, de prestígio, para que possa estar em pé de igualdade com o resto das línguas do mundo. As campanhas lançadas desde o governo chamam a atenção para uma sorte de vonluntariado linguístico: "Venha! Por qué non falas galego?!" e não colocaram nunca a questão de por que uma pessoa que fala castelhano e tem uma vida completamente normal na Galiza, há de vir de repente a mudar para o galego, que terá como consequência uma vida cheia de dificuldades a nível social, laboral, cultural e mesmo pessoal. Se o nosso objectivo é frear a perda de falantes e recuperar outros perdidos teremos de dar bons agumentos para combater, pois temos de ser conscientes que a outra língua que convive na Galiza é uma língua com muita potência e prestígio a nível internacional. A dívida que temos com a nossa língua (a falta de status) só a podemos solucionar fazendo com que se integre na lusofonia. Lusofonia entendida como a comunidade de falantes espalhados pelo mundo que têm como língua veicular o galego-português, a nossa língua aqui inserida ganhará em prestígio e poderá colocar-se à altura do castelhano nos usos sociais, por tanto, a sociedade poderá escolher em liberdade, e com as necessidades e direitos cobertos, qual é a língua que quer utilizar. O movimento reintegracionista exigiu sempre aos nossos governos termos a possibilidade de estudar língua portuguesa nos centros públicos. A realidade a dia de hoje é que podemos fazê-lo nas Escolas Oficiais de Idiomas das principais cidades e nalguns centros de ensino secundário. E cada dia há mais jovens no nosso país que querem estudar português, mas a muitos deles não lhes é permitido, ora porque não há essa matéria no seu centro, ora porque não há lugares suficientes. O que acontece hoje no ensino secundário seria impensável em qualquer outra matéria, os professores que leccionam português são voluntários que o fazem por "militância", alguém já imaginou um professor de filosofia a dar aulas de matemática? Ninguém ia permitir, pois a dia de hoje isso está a acontecer com o ensino do português aqui. O governo galego "admite" que se estude português mas não "ajuda". Uma vez mais a oferta de emprego público não recolhe nenhum professor de português para secundário e sim para alemão ou francês. Como se explica esta situação? O nosso governo deve ter algum tipo de receio à hora de que os jovens estudem português porque se podem aperceber de que têm uma língua própria e que lhes serve para estar no mundo. O mesmo poderíamos dizer da recepção livre das rádios e televisões portuguesas. Do meu ponto de vista é essencial para a normalização do galego podermos receber estas emissões de forma livre, pois haveria uma mudança de perspectiva fundamental: o referente linguístico e cultural deixaria de ser só Madrid, para vir a ser também Porto, Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro etc. E uma pessoa que quiser ter uma vida íntegra em galego-português teria a opção de que os seus filhos vissem Heidi e Pokémon na sua língua. |